NADA GARANTE, NEM IMPEDE.
Por Dionnara Castro – Movimento Arte Jovem Brasileira e Rádio POP Goiaba
IBGF/RJ, 6 de junho de 09.
De pouco, ou nada, adianta o surgimento de um cenário internacional multipolar, se tivermos como norte paradigmas do século XIX. Ou seja: o surgimento da Rússia, China, Irã como potências mundiais - num contraponto à hegemônica indústria bélica americana -, não garantiu qualquer avanço a um mundo mais civilizado.
Neste cenário é que importa destacar o surgimento do presidente dos EUA, ícone inquestionável do cenário internacional, no que considera e respeita publicamente a multiplicidade étnica e de crenças.
Excetuando os EUA, o que vemos são potências surgindo à custa de valores básicos, como a negação do holocausto, pelo governo iraniano; a visível supressão da liberdade de expressão na China; e, para ser mais objetiva, o chamado toque de recolher, imposto aos jovens, pelo governo da Rússia, conforme publicado no jornal O Globo.
Ainda neste cenário - sendo sabedores que a famigerada guerra às drogas do governo Bush, ratificada outra vê, recentemente, pelas Organizações das Nações Unidas (ONU), é apenas um pano de fundo para ocupação militar de territórios alheios -, destaca-se, ainda, o paradoxo da intervenção militarizada no Afeganistão.
A repetição do mesmo, da falida guerra às drogas, leva-nos, entretanto, à sapiência da movimentação ilícita que sustenta grande parte da classe dominante. Abre parêntese. Sem deixarmos chegar tal verdade à instância mental da consciência, dificilmente conseguiremos romper com o ciclo vicioso que vitima tantos brasileiros, marginalizados em condições desumanas. Fecha parêntesis.
Este tecer, entre teoria-metodologia e prática, permite-nos intervir, numa perspectiva de Redução de Danos, ao mesmo tempo em que nos indica que a intervenção no Afeganistão pode e deve considerar pilares: (a) mudanças climáticas; (b) reformas estruturais de superação da condição de miséria, entendendo que (c) a pública segurança está vinculada diretamente à questão econômica.
Somente assim, saneando nosso sistema bancário e nossos valores, ao mesmo tempo em que vamos considerando como legítimas questões históricas, sociais e culturais de determinadas regiões é que podemos rumar para uma sociedade menos hipócrita e mais verdadeira. Destarte é preciso ressaltar que não apenas o capitalismo, como também a suposta democracia e os valores que a subjazem, sustentando uma ordem extremamente desigual, no cenário internacional, também entraram em crise.
Se há, de um lado à alienação da nossa co-responsabilidade diante de extremada desigualdade e, de outro lado, nossa busca em tentar sobreviver em sociedade, surge, como válvula de escape, a consciência da relação entre teoria e prática, como ponto mister às nossas reflexões. Isto, para evitar tornarmo-nos repetitivos, seja em relação às futuras gerações, seja em relação às nossas próprias histórias de vida.
Com transparência e sinceridade, ou seja, zelando pelo mínimo de respeito nas relações, torna-se crucial afirmar que há apenas o chamado terrorismo de Estado. Tal terrorismo, em diferentes continentes fundamenta-se e desdobra-se pela via da falta de perspectiva de vida somada à conseqüente criminalização de maiorias marginalizadas.
É preciso ressaltar que o estado de medo diante de uma situação externa ameaçadora é característica histórica dos seres humanos em nosso exercício de sobrevivência. Já a ausência de temor, frente ao ato de morrer e/ou matar, é uma dinâmica contemporânea - frise-se. Cena esta que pode causar-nos a horripilante sensação de estarmos com os olhos vendados, diante de um cenário mundial que está menos disposto a repensar seus próprios valores, repetindo cegamente os horrores na/pela reconfiguração de novas formas de nazismo: os chamados neonazismo e/ou neofascismo.
Aliás, associando livremente, olhos vendados é a característica da famosa deusa da justiça.
Continua